domingo, 2 de maio de 2010

Olhos de cigana oblíqua e dissimulada.~


"(...)

- Você jura?

- Juro. Deixe ver os olhos, Capitu.

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada."
Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim.

Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram.
Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova.
Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.

Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.
Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve.
A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno.
Este outro suplício escapou ao divino Dane; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe,- para dizer alguma cousa,- que era capaz de os pentear, se quisesse.

- Você?

- Eu mesmo.

- Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim.

- Se embaraçar, você desembaraça depois.

- Vamos ver.

(...)"


"Dom Casmurro" - Machado de Assis




sábado, 1 de maio de 2010

"Existem pessoas que têm sede de sofrer.
O prazer nunca é forte o suficiente,
e elas anseiam a dor."

[Ralph Emerson]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

True Blood.



 

Big Bang Theory.


Amo muito Tudo isso! Ah uma das minhas séries favoritas, super recomendo! :) 
Se é que alguém vê esse blog! :P 

Dúvidas e Certezas!

Há momentos na vida em que pensamos se é isso realmente que queremos, se devemos continuar nesse caminho... Ontem me peguei pensando em algo, muito importante pra mim. Algo que não vou falar, seria expor muito a minha vida... Mas ontem senti um aperto, um aperto que pensei que iria me sufocar. Não aconteceu nada, isso é o mais incrivel, só de pensar em algo, pensar na distância fez minhas lágrimas jorrarem. Sei que é cedo, mas é intenso. Não posso controlar, sou o tipo de pessoa que chora na hora mais incoveniente... como eu gostaria de ser aquela que engole o choro e guarda pra si. Mas infelizmente não sou.
Ah! as confusões da minha cabeça, minha insegurança. 
Mas dentre tantas dúvidas sempre tem uma certeza! Ai nessa hora meu rosto se alegra, volto a sorri... as certezas, são as certezas que me fazem viver a cada dia. E é por essa certeza que continuo firme, e consigo olhar pra frente com um olhar de uma criança. Aquele olhar que não ver mal, aquele olhar que fica esquecido no passado, entre as lembranças que o tempo apagou...

Lane.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

'Lembrou-se que, certa vez, um domador lhe contou como conseguiam manter os elefantes presos. Os animais, ainda pequenos, ficavam amarrados por correntes a um toco de pau. Tentavam sair, e não conseguiam, tentavam a infância inteira, mas o pedaço de pau era mais forte que eles.
Então acostumaram-se ao cativeiro. E, quando grandes e fortes, bastava o domador colocar a corrente em uma das patas, e amarrar em qualquer lugar - até mesmo num graveto - que não ousava tentar sair. Estavam presos ao passado.'

As Valkírias - Paulo Coelho.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Sabe quando a vida da um giro de 180º e você fica totalmente perdida no caminho? Pois bem, é horrivel se sentir assim não desejo isso pra ninguém... Só quero uma segurança que não existe, uma segurança que só o futuro pode me dar... Mas, o que sabemos do futuro? nem sei se vou ta viva amanhã, não sei o que vai acontecer daqui a uma hora ou um minuto.
Só tento não me prender a nada. E assim vou vivendo...

Palavras sem sentido.





Ouvindo: Paralamas do Sucesso - Quase um segundo.